A parir do curso de formação técnica, equipe da unidade hospitalar de Santo André iniciará a captação de córneas; termo de cooperação inédito será assinado em breve
Santo André, 23 de outubro – Seis profissionais do CHM (Centro Hospitalar Municipal) concluem nesta sexta-feira (23), no BOS (Banco de Olhos de Sorocaba), principal captador de córneas no Estado de São Paulo e que mais realiza transplantes no País, o curso de capacitação para retirada do globo ocular e preservação da córnea, processo tecnicamente chamado de enucleação. O complexo hospitalar de Santo André será o primeiro do Grande ABC a realizar o procedimento. No município, 58 pessoas aguardavam na fila de espera por um transplante de córnea – 10.386 no Brasil, segundo dados do último dia 5.
Trata-se da primeira capacitação promovida pela Central de Transplantes do Estado de São Paulo, segundo o enfermeiro e coordenador técnicos do Banco de Olhos de Sorocaba, Hudson Vergennes da Silva. “Atendemos, até então, profissionais vindos da região Norte do País”, explicou Silva, ao ressaltar que o curso tem duração de 40 horas, entre aulas teóricas e práticas, para melhoria na qualidade dos serviços de transplante. Entre os participantes, está a equipe do CHM.
O curso, que teve início na última quinta-feira (22) e se encerra hoje (23), abordou temas na parte teórica, como legislação vigente e estrutura do globo ocular e das córneas, além de enucleação, acondicionamento e armazenamento. Outro assunto discutido, inclusive com técnicas de abordagem de forma humanizada, foi o da entrevista familiar, procedimento de vital importância para o processo de doação de órgãos.
O grupo ainda conheceu a estrutura e o funcionamento do Banco de Olhos, instalado dentro do HOS (Hospital Oftalmológico de Sorocaba). Após o processo de formação, de acordo com Silva, os profissionais estarão aptos, tecnicamente, para realização da entrevista com a família e da retiradas das córneas. “No caso do CHM, por exemplo, há potenciais doadores, mas que não são aproveitados em sua totalidade pela falta de capacitação técnica da equipe. O que agora será diferente”, afirmou o enfermeiro e coordenador do serviço, que realiza por mês, em média, 500 doações no Estado.
O coordenador da CIHT (Comissão Intra-Hospitalar de Transplante) no CHM, o enfermeiro Paulo Cezar Ribeiro, integra a equipe de seis profissionais que faz o curso de capacitação em Sorocaba. “Estamos bastante entusiasmados com o novo desafio”, adianta Ribeiro, que voltara à cidade do interior paulista, ainda com data a ser definida, para o estágio nos hospitais da região que possuem parceria com o Banco de Olhos local.
COOPERAÇÃO – Além da formação técnica dos profissionais, o próximo passo será a assinatura do Termo de Cooperação, entre a Secretaria de Saúde de Santo André e o Banco de Olhos de Sorocaba, para que o CHM possa iniciar a captação de córneas. “Nosso objetivo é formalizar o convênio o mais breve possível, a fim de diminuir o tempo de espera dos receptores, e, consequentemente, aumentar a sobrevida do paciente”, afirmou o secretário e médico Homero Nepomuceno Duarte. A busca pela habilitação tem o objetivo de diminuir o tempo de espera dos rece
Desde 2013, o Centro Hospitalar só faz a captação de córneas quando o paciente tem o diagnóstico de morte encefálica – interrupção irreversível das atividades cerebrais, causada frequentemente por traumatismo craniano, derrame ou tumor. No entanto, a captação pode ser feita em qualquer tipo de óbito, com exceção das contraindicações absolutas, como infecções em geral (sepse) e doenças infectocontagiosas. Ao contrário de outros órgãos, pode-se retirar até seis horas após a morte. O prazo máximo para transplante é de 15 dias.
Com a formalização do termo, após a notificação e captação, as córneas serão encaminhadas pela equipe do CHM à filial do Banco de Olhos de Sorocaba, no bairro Tatuapé, em São Paulo, onde está localizado o laboratório de processamento de córneas da instituição sem fins lucrativos e referência na área.
Pela legislação brasileira, a doação de órgãos e tecidos só é permitida após a morte, com a autorização dos familiares. Neste sentido, o Cartão do Doador representa o desejo da doação em vida e uma forma de a família se conscientizar.
Sobre a Secretaria de Saúde
Com orçamento previsto de R$ 522,171 milhões para 2015, a Secretaria de Saúde tem destinado o maior valor da peça orçamentária da Prefeitura de Santo André. O governo tem na Pasta uma de suas prioridades, inclusive com a construção de novos equipamentos públicos aos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde).
A rede de saúde municipal é composta por 33 USs (Unidades de Saúde); dois hospitais (Centro Hospitalar Municipal e Hospital da Mulher); três UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) 24 horas; quatro PAs (Prontos Atendimentos) 24 horas; três Centros de Especialidades Médicas; um Centro de Reabilitação Municipal; dois Centros de Especialidades Odontológicas; um Ambulatório de Moléstias Infecciosas; um Centro de Referência de Saúde do Trabalhador, um Centro de Terapia Comunitária e um laboratório de análises clínicas, além do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Na área de Saúde Mental, são quatro Naps (Núcleos de Atenção Psicossocial), um Caps (Centros de Atenção Psicossocial), cinco residências terapêuticas, duas repúblicas terapêuticas, um consultório na rua (veículo), um Centro de Atenção à Saúde Mental e um Núcleo de Projetos Especiais. Na diretoria de Vigilância à Saúde, o município dispõe de divisões de Vigilância Sanitária; Epidemiológica; Saúde do Trabalhador e Controle de Zoonoses e Ambiental.
A Secretaria de Saúde trabalha em parceria com a Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, que oferece vários serviços e atendimentos à população. A Pasta também oferece apoio diagnóstico e terapêutico, desde municipal até terceirizado, por meio de contratos e convênios.
A respeito de Santo André
A Vila de Santo André da Borda do Campo foi fundada em 8 de abril de 1553 e extinta em 1560. A localidade passou a ser parte do município de São Paulo e apenas em 1889 é que a região passou a ter um município com nome de São Bernardo. Este abrigava todo o ABC, e com a transferência de sede em 1939 passou a ser denominado Santo André. Este nome permaneceu, e após diversas emancipações de distritos, em 1953, o município de Santo André passou a ter a área atual de 174,38 km².
Localiza-se no ABC paulista (Região Metropolitana de São Paulo), distante 18 km da Capital. A cidade é estratégica para o setor logístico, pois está inserida no principal pólo econômico brasileiro, próxima a algumas das principais rodovias estaduais e federais, as quais dão acesso ao Porto de Santos e aos aeroportos de Cumbica e de Congonhas.
Conforme último Censo, divulgado em 2010, com estimativa para 2014, Santo André possui 707.613 habitantes. No ano de 2012, o PIB (Produto Interno Bruto) foi de R$ 18,085 bilhões, sendo o 32º maior do País e o 12º maior entre as cidades do Estado de São Paulo.
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Elaine Granconato – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


